Psicologia Afrocentrada: um espaço de cura feito por e para nós
- João Casimiro
- 24 de set.
- 2 min de leitura
Atualizado: 6 de out.

Durante minha graduação, uma pergunta sempre ecoava: "Será que uma psicologia pensada para a realidade europeia dá conta das vivências do povo negro no Brasil?".
A crítica à psicologia eurocêntrica é comum, mas foi depois da faculdade que encontrei autores que levaram essa questão às últimas consequências. Toda crítica passa por dois momentos: a denúncia de um problema e a proposição de uma solução.
Diante do eurocentrismo, a saída mais comum é adaptar teorias de Freud, Vygotsky ou Skinner à nossa realidade. Esse é um trabalho válido e importante, mas ele me levou a uma nova pergunta: é possível construir uma psicologia negra a partir de bases que não são negras?
Foi buscando essa resposta que encontrei a psicologia afrocentrada. Ela vai além da adaptação. Seu propósito é criar uma psicologia de, para e por nós. Não é uma cópia de modelos europeus, mas um espaço novo e ao mesmo tempo ancestral, onde nosso povo pode se reencontrar com sua história e seus próprios modos de ser.
Mas, na prática, o que isso significa?
Significa criar uma clínica com espaço para a criatividade de um povo que vive imerso em música, dança e arte. É entender que, para nós, a comunidade é sagrada e a conexão é mais que resistência: é nosso modo de vida.
Pensar na diáspora africana é entender que é impossível fragmentar nossa saúde. Por isso, a psicologia afrocentrada cuida de você de forma integral, considerando todas as suas facetas:
Mental: Para as filosofias africanas, a cabeça (ori) ocupa um lugar central. Não há saúde com uma mente adoecida.
Física: Não separamos corpo e mente. Da capoeira às danças sagradas, nosso modo de vida sempre valorizou o corpo.
Social: Sozinhos, adoecemos. Estar conectados à nossa comunidade é essencial para o nosso bem-estar.
Espiritual: Para o povo negro, a vida é sagrada. Nossa saúde passa por reconhecer o sagrado em tudo o que somos, comemos e fazemos.
Ambiental: Não é possível viver bem em um ambiente poluído e doente.
Ocupacional: Exercer um papel na comunidade é parte fundamental da promoção da saúde.
Financeira: Viver com dignidade e superar a vulnerabilidade social é crucial para uma vida plena.
Emocional: Estar em contato com nossos sentimentos nos guia por caminhos mais autênticos e seguros.
A psicologia afrocentrada é, portanto, um movimento. Uma construção que busca nos reconectar com nossa história, nosso povo e nossas vivências para promover uma saúde verdadeiramente integral.
Você se identifica com essa proposta? Se este texto fez sentido para você, vamos começar uma conversa.

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